O Projeto Tamar-ICMBio foi criado em 1980, pelo antigo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal-IBDF, que mais tarde se transformou no Ibama-Instituto Brasileiro de Meio Ambiente. Hoje, é reconhecido internacionalmente como uma das mais bem sucedidas experiências de conservação marinha e serve de modelo para outros países, sobretudo porque envolve as comunidades costeiras diretamente no seu trabalho sócio-ambiental.
Pesquisa, conservação e manejo das cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil, todas ameaçadas de extinção, é a principal missão do Tamar, que protege cerca de 1.100km de praias, através de 23 bases mantidas em áreas de alimentação, desova, crescimento e descanso desses animais, no litoral e ilhas oceânicas, em nove Estados brasileiros.
No litoral sul do Estado do Rio Grande do Norte, o Projeto Tamar monitora 33km de praias, nos municípios de Natal/Parnamirim (Barreira do Inferno), Tibau do Sul (Pipa e Sibaúma), Canguaretama (Barra do Cunhaú) e Baía Formosa. São trechos não-contínuos e apresentam estreita faixa de praia, com a presença de dunas intercaladas por falésias. Em cada temporada reprodutiva, que nessa região ocorre entre outubro a maio, o Tamar registra cerca de 550 ninhos de tartarugas marinhas, gerando mais de 40 mil filhotes. Embora 97,8% dos ninhos sejam da espécie de pente (Eretmochelys imbricata), há também a ocorrência de desovas das outras espécies - oliva (Lepidocelys olivacea), cabeçuda (Caretta caretta), verde (Chelonia mydas) e de couro (Dermochelys coriacea). A coleta de dados sobre as fêmeas em atividade reprodutiva se concentra na praia de Pipa, onde já foram marcadas mais de 120 fêmeas em apenas 4km.